terça-feira, 20 de julho de 2010
Para Linda
sábado, 10 de julho de 2010
Que tempo é esse?

Acho que os ônibus podem ser considerados espaços pra trânsitos extremos da coletividade e também curiosos lugares pra observar a vida em juízo ou como anda o juízo das pessoas ou simplesmente foder seu juízo com a má educação reinante ou, ou... bem, eu não posso deixar de compartilhar o que me aconteceu ontem voltando pra casa na hora do rush, bairro sem luz, engarrafamento caótico, Centro da Cidade. Olha... que tempo é esse o nosso, hein? (pausa contemplativa estúpida).
Eu sempre tive uma grande atração pela “história das mentalidades”- por causa de uma grande professora na faculdade. Ela praticamente eriçava os pêlos toda vez que dizia isso: “história das mentalidades”. A gente nunca imagina que tem um cara no mundo que de repente começa a estudar as mentalidades. E aí os historiadores dizem cheios de languidez: “história das mentalidades” (pausa contemplativa rascante).
A questão é que de lá pra cá, a partir da professora, meus pêlos também ficam eriçados quando ouço ou leio: “história das mentalidades”. Quase como achar uma chave mestra, uma moeda de ouro antiga, uma caixa de metal da bisavó, enfim. É isso. A verdade é que eu sempre fui interessado no que as pessoas tem dentro da cabeça. Mas uma só pessoa não me interessa tanto. Só num bar, a pessoa alterada. Mas não me entenda mal, não quero com isso dizer que adoro pessoas alcoolizadas o tempo inteiro, pelo contrário. A não ser que eu também esteja bem alcoolizado, porque o cara que não está bêbado ter que suportar quem está... é quase... é realmente insuportável. Mas os bêbados são dóceis. Essa é a verdade. Quando não são é porque o álcool não deixa. (pausa contemplativa pretérita).
Mas voltando à história das mentalidades. O que um período de longa duração pode revelar me deixa bastante curioso. Como não sei muita coisa sobre esse assunto, fico tentando catar, colher, pescar o que alguns grupos de pessoas, quando juntos, podem deixar transparecer. E os ônibus são incríveis. Quando não são incríveis – porque você pode não concordar – é porque o teu juízo tá fodido. (pausa contemplativa estúpida). Convenhamos que a real é que os ônibus podem foder teu juízo. Geralmente por um curto período. Se ao descer do ônibus teu juízo continuar fodido, pode crer, você já faz parte de uma mentalidade que eu não sei qual é. (pausa simplesmente) Será que meu juízo ainda está fodido? (Pausa). Prefiro pensar que só estou mentalmente impressionado com o nosso tempo. Ok.
O ônibus que eu estava não vinha cheio. Encheu quando parou no engarrafamento. Comecei a me perguntar por que as pessoas entravam em um veículo que não andava. Não obtive resposta. As pessoas continuavam a entrar. Entravam e se socavam. Eu que sempre ouvi minha mãezinha dizer que eu quando criança não era gordo, mas era “socado”. (pausa contemplativa sem respiração).
Cinco minutos de trânsito parado. Um senhor entra com seis bolsas de supermercado. Senhor magro, cansado, parecia doente. Pensei: como ele vai levantar essas seis bolsas pra passar na roleta? Ele levantou. Ele conseguiu. Mas uma das bolsas rasgou. Não foi culpa dele. Não se faz mais sacolas como as da Casa da Banha. Eram de papel, lembra? Você não podia colocar a carne que, num engarrafamento como esses, molhava e rasgava a bolsa. Não é nada disso que eu queria contar. Mas espere. (pausa simplesmente).
Uma mulher ao meu lado. Grande. Larga. Cabelos longos grisalhos. Aparentava ter seus quarenta e cinco anos, mais ou menos. Professora de Educação física – ela me disse. Ela queria reclamar do engarrafamento, do ônibus cheio, do ar que começava a ficar murrinhento dentro do veículo. Mas ela não conseguiu. Ela começou logo a dizer sobre uma suposta energia que estava presente ali, naquele momento. Ela vinha de longe. Estava voltando pra casa depois de estar em alguma celebração religiosa onde se bebe alguma coisa e se vê coisa e. Enfim. Ela não mais parou de falar. Havia uma mulher no andar de cima da casa dela que a atingia na madrugada e que sabia onde ela estava em qualquer cômodo da casa. Depois ela me disse que no ano
quarta-feira, 7 de julho de 2010
SSD
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Antes de dormir ou nunca mais dormir
Eu mal havia chegado da casa daqueles meus amigos que moram em Vargem grande, como te falei, e encontrei uma grande amiga de muito tempo na feira aqui da minha rua. Não que eu tenha o costume de ir às feiras livres – apesar que é algo por demais agradável. Mas também não tinha jeito já que abro o portão e dou de cara com aquelas cores-alhures-raízes. E não fui pra comprar nada. Fui comer um pastel e provar as laranjas. Eu sempre fazia isso quando era novinho. E caldo de cana. Essa minha amiga estava puxando seu carrinho abarrotado de verduras, porque ela não come carne e eu a reconheci pelas sandálias. Na verdade pelo pé. Eu conhecia aquele pé – aquele pé lá e pé cá, sabe? Aquela coisa rápida, que você não alcança. Essa minha amiga é assim. Voa no vento. Depois de choros sem velas e laranja ontem e laranja amanhã, ela se apressou. Fui atrás. Ela passou em casa, deixou as coisas todas arrumadas pra sua mãe e se mandou pra Cachoeira de São Félix, Bahia. Fui atrás. A viagem foi rápida. Fomos de avião. Não deu tempo de ela me explicar muita coisa sobre o trabalho que ela vem fazendo em Iguape, no interior de Cachoeira, há algum tempo. Ela queria me explicar, mas eu estava atrasando tudo. Eu não tinha passagem comprada, nem mala arrumada. Só tinha o sonho de conhecer Cachoeira e o Rio Paraguaçu, a Pedra da Baleia e aquela ponte que dividiu segredos algum dia. No avião eu fiquei tenso. Não com a altura. Mas com os gases. Até hoje ninguém me disse o porquê de tantos gases me assolando cada vez que estou em um avião. Mas esquece isso. Enfim. Fiquei mudo. Ela me achou tenso. Ela estava cansada. Eu também. Chegamos a Salvador, passamos
Bem, enfim minha amiga me explicou qual foi o ponto de partida desse trabalho que ela chamou de “Memória: carne Viva”. A inspiração foi o livro “Antes de Nascer o Mundo” do escritor Angolano, de Moçambique, Mia Couto. Dizem que ele não é nem um pouco afeito à rotina de um escritor profissional. Esse Livro do Mia conta a história de um pai – viúvo – que leva seus filhos pra um lugar remoto. O pai avisa aos filhos que o mundo havia acabado e que eles eram os últimos sobreviventes. É bacana que a narrativa é feita sob a ótica de uma criança. Achei incrível a sacada dessa minha amiga grande artista. Aquele lugar, pelo que ela contava, era o próprio livro. Sabe esses lugares praticamente virgens? Sabe terra virgem, boa?, que você joga uma semetinha de nada e cresce um arvoredo? Parecia isso. O trabalho teatral que ela desenvolveu ali com aquelas pessoas e a comunicação travada, explorada e o pensar sobre tudo o que necessitavam, foi extremamente fino. Ela sempre me diz: “preto, esse trabalho é a minha cachaça”.
A tarde passou depressa e cada acontecimento era tão vivo quanto a alegria que só ia aumentando quanto mais a hora da apresentação chegava.
Quando aquelas crianças - e senhoras também com seus quase setenta anos - começaram a peça e a falar os textos, foi comoção profunda.
Um menino aprendeu a andar com perna de pau assim que subiu nelas. Ele era um gigante, diziam.
Os ensaios aconteceram sempre em um terreiro.
Na hora de minha amiga ir embora, foi um chororô impagável. Pra tudo eles cantavam. Sempre que minha amiga chegava, eles cantavam. Cantavam pra o sol que se punha, cantavam pras partidas. Cantavam pra quem não ia, pra quem via. Cantavam pra dor, pras fronteiras. Cantavam pela paz.
Se na ida eu não conseguia falar nada, na volta foi assim mesmo. Mas não falava porque não tinha nada pra falar. Eu estava em paz comigo e com o avião que voava alto.
Eu queria ser o contador de histórias daquela comunidade pra viver com aqueles personagens. Dormir com eles, cantar, dançar. Viver um tempo com eles e ser insone o tempo que fosse preciso. O teatro - a arte - fala mais forte quando é assim. Sem firula. Sem “comer zinco e arrotar semâncio. E sem passar roxura”, como dizia Dona Luíza, lá de Cachoeira.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Savana onírica
Meus sonhos costumam ser meio Salvador Dali: as pessoas têm gavetas, os relógios escorrem e eu nado no ar. Comento isso com meu terapeuta e ele diz que é muito bom sonhar que se está em movimento, indica mobilidade na vida. Eu aceito, né, Astor, tô pagando. Afinal, quem mais ia pensar num troço desse? Quem mais ia aguentar ouvir sobre meus sonhos, sejam os que tenho dormindo, seja os que tenho acordada? Pelo menos pra isso essa droga de capitalismo serve, pra gente pagar pela atenção alheia. Aliás, se eu pudesse, alugava alguém pra ir comigo a casamentos e chás de bebês, só pra não ter que ficar explicando o porquê de não ser casada. Cansei de mentir, sabe? De dizer que não tenho a obrigação de me envolver com quem quer que seja só pra ficar com o anelar esquerdo pesado e de dizer que acho esse negócio de amor uma loteria danada: ótima pra quem ganha, mas frustrante pra quem não logra êxito. Porque, venhamos e convenhamos, a pessoa pode passar uma vida inteira apostando e nunca ter seu número sorteado, não é mesmo? No último casamento que fui, por estar desacompanhada, acabei inventando que tinha problema nas trompas de falópio, porque, hoje em dia, mesmo sem marido, as pessoas insistem em achar que você tem que ser mãe, que é só arrumar um doador e, daí, depois que esse assunto começa, a coisa vai ganhando proporções assustadoras, que vão desde a idéia de que negar a maternidade é contra a natureza da mulher até a cotação das fraldas Pampers e Turma da Mônica. Confesso que depois de tanta baboseira fico com uma vontade danada de pedir à cidadã (que esse tipo de intromissão costuma vir quase sempre de mulheres) pra se meter com a própria vida e me deixar em paz, já que sou do tempo que filho era coisa pra quem tinha um homem com quem dividir a responsabilidade. Mas, por ultimamente andar tão calma e lânguida, só queria mesmo era alugar uma companhia pra essas ocasiões. Uma amiga do pilates inclusive me indicou uma agência, mas sempre fico achando que vai vir alguém falando ou um “pra mim fazer” ou um “posso estar tentando estar chamando um táxi pra gente” e isso acaba com o estoque de colágeno que ainda me resta. Pensando bem, não sei porque fui falar disso, não era o que realmente tinha a intenção de te contar. Liga não, sempre quando estou a uns três dias da menstruação, dou pra ficar assim, mais digressiva que professores de Filosofia depois da terceira taça de vinho tinto.
O que queria te dizer é que esse bom humor de hoje é por conta da peça de Teatro que assisti ontem. Sendo bem sincera, só fui porque li no jornal uma crítica super elogiosa daquela senhora que não gosta de quase nada, sabe? Então, ela adorou a peça de uma tal maneira que fiquei curiosa. E não é que ela tinha razão e o espetáculo era realmente pungente? Resumindo, é a história de um casal onde a mulher tem problema de perda de memória recente e o marido, um escritor meio contemporâneo demais, acaba sendo seduzido pela vizinha, uma maquiadora muito da vagabunda que se aproveita da situação de fragilidade da outra. A hora que eu mais gostei foi quando a desmemoriada disse que ela até podia se esquecer dos fatos, mas que, ainda assim, os reconhecia. Bacana, né? Ah, a peça se chama Savana Glacial, que, coincidentemente, é o nome de um dos esmaltes da piranha da maquiadora. Desculpe falar assim da moça, Astor, mas acho que a pessoa seduzir o homem de uma sequelada é tão covarde quanto roubar moeda de cego na porta da igreja, né, não? Como é que a outra ia poder se vingar? Enfim, ontem foi o último dia da temporada lá no Planetário, mas, se você quiser, eles voltam em cartaz agora em julho lá naquele teatro na saída do Metrô da Praça Cardeal Arco Verde, aquele que tem nome de um dramaturgo que apresentava um programa de entrevistas na Tv Globo há muito tempo atrás, sabe? Bem, acho que não vou me lembrar do nome do homem, mas, de todo modo, esse é o único Teatro nessa praça, portanto, não será difícil de achar.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ora, bolas...
Interessante falarmos de períneo, bolinhas, exercícios, sexshop e afins. Eu estou exatamente agora em uma gravação de um filme pornô. Produção de um casal de amigos que eu nunca imaginei que trabalhassem nesse ramo. Estou aqui há quase dez dias com eles, em um sítio